Confesso que, por esta altura, planeava já ter colocado em marcha todos os pontos da minha lista de mudança. Na verdade, não o fiz. Meteram-se coisas pelo meio. Nomeadamente o verão. Um verão grande e com férias "obrigatórias" ditadas pelo pequeno João. Além disso, meteram-se outros desafios pelo meio. Poderia chamar-lhes desafios profissionais, mas isso implicaria a obtenção de rendimento, que não é o caso. Chamemos-lhe então desafios passionais. Nos últimos meses, escrevi alguns livros e alinhavei o início de um projecto ambicioso (que, se correr bem, vai dar muito que falar). Tudo isto a custo zero, não apenas para mim, mas para outras pessoas (sobretudo no caso dos livros), e tudo isto consumiu o seu tempo, o meu tempo... Muito tempo!
De modo que aqui estou eu, a meio de Setembro, e com tanta coisa para fazer (e mudar!) num futuro próximo. Em primeiro lugar, vou mudar de estratégia. Até agora, tentei fazer tudo em simultâneo, acabando por não fazer nada daquilo que queria mesmo fazer. Como o meu projecto. Fui ambiciosa. E estanquei em águas de bacalhau. Doravante, palavra de escuteira, vou aceitar o reordenamento natural das prioridades. Vou aceitar que a vida não pára enquanto nós fazemos "check" nos pontos de uma lista. A vida continua e, naturalmente, vai acrescentando pontos à lista bonitinha que imprimimos e afixámos na parede do escritório.
Mais importante do que uma lista, é o que se passa na nossa cabeça. O nosso mindset. E o meu está mais do que sintonizado para a mudança, não tenho dúvidas. Falta o mais difícil: concretizar. Encontrar aquele meio-termo que funcione para nós e para as nossas rotinas, sem comprometer o essencial. Não fiz as caminhadas diárias, pois não. Não tenho cozinhado tanto como queria. Nop. Parei a dieta cedo demais e, embora não esteja longe do peso ideal, falta-me um par de quilos. Etc., etc. Por outro lado, sinto-me melhor agora do que há uns meses. Incorporei hábitos mais saudáveis na minha vida. Estou mais perto da pessoa que espero tornar-me. Passo a passo, lá chegarei... Ou, em linguagem popular, "ainda a procissão vai no adro".
Para já, algumas "lições" deste meu (lento) processo de mudança. Recomendo vivamente que as sigam, caso estejam no mesmo mindset que eu.
1. Não vale a pena querermos fazer tudo ao mesmo tempo. Acabamos por não fazer nada.
2. Lá por não termos "obrigações profissionais" não significa que as 8 ou 9 horas úteis de um dia sejam plenamente aproveitadas. Shit happens. And not every day is a good day.
3. Temos de aprender a deixar-nos ir na corrente. Go with the flow. Não vale a pena batermos com a cabeça nas paredes, o importante é que estejamos a fazer coisas. Fazer é meio caminho andado para vencer! O.K., não despachamos a nossa lista de mudança em 6 meses, mas podemos mantê-la no cantinho do olho. Até chegar o dia em que percebemos algo incrível: tcharan, lista cumprida!
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16 de setembro de 2015
17 de julho de 2015
Cursos, para que vos quero #2
Outro curso que tirei recentemente foi o de Search Marketing Strategies, com foco em SEO (Search Engine Optimization) e SEM (Search Engine Marketing). E porquê? Em primeiro lugar, porque quase todos os anúncios de emprego na área dos conteúdos pedem conhecimentos de marketing digital; depois, porque o marketing faz realmente parte do meu leque de interesses (sendo que, nos tempos que correm, não faz sentido estudar o marketing tradicional sem abordar o digital).
Falando do curso, importa dizer que fiquei completamente viciada nesta coisa das palavras-chave. A premissa fundamental do SEO, para quem não sabe, é a definição de palavras-chave (ou keywords) que melhor caracterizem o nosso negócio/produto/serviço/marca. E como é que isto acontece, na prática?
1. Qualquer profissional de SEO deve começar por fazer um estudo exaustivo de palavras-chave. Quais as palavras que melhor definem a marca/negócio? Quais as palavras pelas quais os utilizadores poderão chegar até à marca/negócio? Quais as palavras que reflectem necessidades dos utilizadores da marca/negócio? Etc., etc., etc. Um bom estudo de palavras-chave deve esgotar todas as possibilidades, do ponto de vista da marca/negócio e do utilizador.
2. A partir do momento em que damos por concluído o nosso estudo, restringimos a centena de palavras-chave a meia-dúzia. Não tem de ser exactamente este o número, mas importa que sejam poucas as palavras-chave. Para que não haja dispersão de conteúdos. Keep It Simple.
3. Finalmente, já com uma mão-cheia de palavras-chave espectaculares, começamos a estruturar toda a nossa comunicação digital (o site, as redes sociais, etc.), fazendo-o de forma pertinente e criativa. Por um lado, queremos aparecer nas primeiras posições do motor de busca, mas também não queremos bombardear os utilizadores com textos sufocados por palavras-chave. Encontrar o equilíbrio entre uma coisa e outra é precisamente o desafio de quem produz os conteúdos - A.K.A. myself.
Idealmente, estes passos (1-2-3) deverão ser feitos antes da criação de uma marca/negócio, para alicerçar bem a casa antes de a construir. No entanto, o que acontece quase sempre é a "reconstrução" da casa, ou seja, marcas/negócios que já têm sites implementados e que querem refazê-los à luz da optimização (afinal, é disso que se trata).
E depois, o que se segue? Partindo do princípio que já temos o nosso site super optimizado, aparecemos nas primeiras posições do Google, a vida corre-nos bem (em teoria)... O que fazer para melhorar os nossos números (tráfego, vendas, visualizações, etc.)? Basicamente, é um processo constante de SEO e SEM, em que o primeiro deve fazer parte da estratégia global do segundo, mas não basta per se. A reestruturação das palavras-chave, consoante estejam a produzir resultados ou não, a medição de resultados pelo Analytics, o investimento em Adwords.. Tudo isso é apenas uma parte das boas práticas de SEM.
É incrível como ainda há tanta gente a usar a internet para fins de negócio sem este conhecimento. E tanta gente (marcas, negócios, projectos, etc.) a subestimar o valor de bons conteúdos. O mais incrível é que tudo isto é relativamente fácil de implementar. Partindo, lá está, de bons conteúdos (sempre!). Se os nossos conteúdos estiverem alinhados com as keywords, bem estruturados e consistentes com os nossos objectivos, é meio caminho andado para entrarmos nos primeiros resultados de busca do Google. Com a importância que isso representa para qualquer marca. E isso toda a gente sabe.
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6 de julho de 2015
Cursos, para que vos quero #1
www.edit.com
Já aqui disse que gosto de cursos. Gosto de aprender coisas novas e, acima de tudo, tenho necessidade de conhecer outras áreas de actividade - mais ou menos circundantes à minha - para ter a certeza de que estou a pôr em prática a minha vocação (chamamento divino, missão de vida, you name it!). Sabe-se lá se não tenho em mim uma brilhante designer de moda ou uma proeminente marketeer?
Esta é realmente uma das minhas maiores inquietações: como saber se estamos na área/profissão certa, se não experimentarmos TODAS as possibilidades? OK, é ambicioso (e provavelmente impossível) conseguir fazê-lo em apenas uma vida. Mas... Podemos ao menos restringir a nossa pesquisa com base no que conhecemos bem sobre nós! Eu, por exemplo, sei que gosto de escrever, sou fascinada pelo design e pela estética das coisas e não me imagino numa profissão totalmente desprovida de criatividade. A partir desse ponto, já é exequível traçar um círculo de interesses mais restrito (ainda que imensamente variado). Mas... E depois? Como concretizar a "prospecção de mercado"?
Os cursos rápidos, ou workshops, são provavelmente a maneira mais fácil. No entanto, nem toda a gente tem o tempo e o dinheiro necessários para andar por aí a experimentar cursos - como quem experimenta roupa num provador de loja. Ainda que a oferta seja variada, de preços e horários, continua a não ser acessível a toda a gente. No meu caso, tento sempre encontrar um curso minimamente barato, mas que tenha alguma profundidade de conteúdos (e isso vê-se na relação programa-carga horária). Por exemplo, não me interessa nada dar 50€ por um workshop de 2 horas em marketing digital - porque sei que não vou aprender o suficiente sobre o assunto -, mas talvez dê esse dinheiro por um workshop de cupcakes com a mesma carga horária. Apesar de o meu desconhecimento ser exactamente igual em ambas as matérias, parece-me óbvio que a última é mais facilmente apreendida em pouco tempo. Depois há outro factor a considerar: o jeito que, à partida, pensamos ter para a coisa. Por que haveria eu de inscrever num workshop de desenho avançado ou de pintura se os rabiscos do meu filho são melhores que os meus? Há que ter muita noção do que queremos e do que se adapta a nós, antes de investirmos as nossas poupanças em cursos e workshops!
Isto para vos dizer que fiz um workshop de fim-de-semana em Content Marketing. E porquê Content Marketing? Sendo eu uma criadora de conteúdo, parece-me útil aliar essa capacidade a alguns conhecimentos de marketing. Sobretudo porque tenho planos para lançar um projecto online e zero dinheiro para investir. Logo, terei de ser eu, solo, a fazer o papel de uma equipa inteira. O que não me chateia nada, diga-se de passagem. Pelo menos, no que ao marketing e ao design diz respeito. Porque se falarmos de gestão e contabilidade, a coisa muda de figura. Lá está, não me parece que tenha jeito para matérias que envolvam números, mas com isso preocupo-me depois.
Para já, o que dizer do curso de Content Marketing? Achei que tem tudo a ver comigo. Vejo-me perfeitamente a trabalhar nessa área. Entendo os conceitos e as premissas-base. E não posso dizer que tenha aprendido algo absolutamente novo, mas tive boas ideias, conheci pessoas com competências parecidas ou radicalmente diferentes e acrescentei uma experiência ao currículo e vários estímulos à criatividade.
Se valeu a pena, tendo em conta a relação qualidade-preço? Para mim, com certeza. Para outras pessoas, talvez não. E porquê? Porque todos temos percepções diferentes daquilo que consideramos investimentos. No meu caso, sou capaz de passar meses a "chorar" uma roupa ou uns sapatos (que não deixam de ser investimentos, em nós e na nossa aparência), mas dou por bem empregue o meu dinheiro em cursos e viagens (com as devidas excepções, claro). Dizendo a mesma coisa através de conceitos de marketing (cof cof): roupas e sapatos não fazem parte do meu mindset, enquanto cursos e viagens estão no meu top of mind.
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4 de julho de 2015
[volto já]
A caminho de uma formação, que irá durar todo o fim-de-semana. E o mais giro é que vou entusiasmada (bem mais do que se fosse para a praia!). Há malucos para tudo, verdade? :) O facto é que adoro cursos, formações, aprender coisas novas, expandir horizontes...
Esta formação em particular poderá mudar a minha vida num futuro bem próximo. Expectativas baixinhas, portanto. Bora lá!
3 de julho de 2015
A 2 kg da liberdade (condicional)
Faltam-me 2 míseros quilos para me atirar aos gelados. Aos batidos. À pizza e aos hambúrgueres. Aos petiscos no sofá. Às mancheias de cerejas. Ao cheesecake e à tarte de morangos. À batata frita de pacote. Ao ovo estrelado em tosta de queijo. Aos cereais açucarados directamente da caixa. Ao chocolate preto de culinária. Ao pão branco com manteiga e marmelada. Ao ice tea da Lipton. Aos prazeres gastronómicos de antigamente.
[Era bom, era.]
Faltam-me 2 kg para a liberdade, mas ainda (e talvez sempre?) com pulseira electrónica. Há que ganhar consciência de que nada voltará a ser como dantes. Há que mudar hábitos. Mentalidades. Ganhar disciplina e manter a força de vontade. Inspirar fundo muitas vezes. Fechar a boca outras tantas. Controlar os ímpetos. E perceber que, se não fizer nada disso, estou a 2 kg de voltar a ser gorda!
24 de junho de 2015
Pelo preço destes cremes de rosto...
Espero bem que me deixem a cara mais macia que o rabo de um bebé. Na imagem só falta o tónico, que não estava disponível quando comprei. Mas será este:
Da direita para a esquerda: leite desmaquilhante Secret de Pureté; mousse de limpeza Secret de Pureté e creme hidratante Super Aqua Creme. Todos da Guerlain.
Como não sou nenhuma expert nestas matérias de beleza e cosméticos, pedi à senhora da Guerlain (por acaso apanhei uma representante da marca e foi SÓ por isso - porque a senhora é realmente excelente vendedora - que fiz esta compra de impulso) que me explicasse tintim por tintim os procedimentos, passo a passo, como se eu fosse muito burra (que sou - nestas matérias, atenção!). Então, parece que à noite (antes de deitar) posso dispensar a mousse de limpeza e usar, por esta ordem, o leite desmaquilhante, o tónico e o creme hidratante. Já de manhã, substituo o leite desmaquilhante pela mousse de limpeza e o resto é igual. Ao contrário do que eu pensava, não devemos colocar os produtos num algodão, mas sim directamente nas mãos. E massajar o rosto do interior para o exterior - pois, ao que parece, esta técnica diminui drasticamente a probabilidade de termos rugas. (Claramente, ninguém explicou isto à Lili Caneças em nova. O dinheirão e o transtorno que lhe tinham poupado!)
A senhora da Guerlain estava tão incrédula com todas as minhas perguntas que nem queria acreditar no TÃO POUCO que eu sabia sobre o assunto. E pronto. Agora sei um bocadinho mais. Objectivo para os próximos 50 anos (at least): manter o ritual DIÁRIO de limpeza e hidratação do rosto (tópico 5 da lista de mudança, lembram-se?). Como os cremes são tããããããããão caros (foi uma extravagância que não costumo fazer e que tão cedo não se voltará a repetir!), a minha maior motivação será não desperdiçar este dinheiro, afinal trata-se de um investimento em mim. Meus ricos cremes, agora é convosco... Work your magic e deixem-me exactamente ASSIM:
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19 de junho de 2015
Fontes de inspiração
Ainda agora encontrei "a" fonte para um projecto (gráfico) que - espero - venha a dar muitos e bons frutos. Chama-se Prism Font.
dafont.com
17 de junho de 2015
A minha carta para 2025
Lisboa, 17 de Junho de 2015
Querida S.,
espero que te encontres bem em 2025. E com "bem" quero dizer: espero que não estejas tão balofa como há 10 anos atrás. Lembra-te que o teu peso ideal está entre os 55 e os 60 kg. Com "bem" quero também dizer: espero que o teu peito continue razoavelmente firme, caso contrário já deverias ter tratado disso. E, finalmente, o meu conceito de "bem" implica obrigatoriamente a realização de TODAS as condições abaixo enumeradas.
Que tenhas um trabalho que adores e te recompense justamente.
Que, graças à estabilidade financeira, tenhas comprado a vivenda com jardim que há tanto tempo ambicionas.
Que o João, agora com 11 anos, já tenha uma irmã e que ambos sejam imensamente felizes. E saudáveis.
Que tu e o H. continuem juntos e felizes. E saudáveis.
Que tenhas encontrado um hobbie que te apaixone e preencha os teus tempos livres.
Que consigas ter tempos livres.
Que faças, pelo menos, duas viagens por ano. Uma a dois e outra em família.
Que acordes todos os dias com um sorriso nos lábios.
E é só. Como vês, querida S., tenho muito a fazer para que tu possas ter tudo isto. Perdoa-me por não me alongar mais, mas tenho de ir ali fazer uma caminhada. E é por ti que o faço. Para que sejas uma quarentona enxuta e feliz.
Beijinhos,
Tu com 31 anos
16 de junho de 2015
Querido, mudei os dentes!
Lembram-se da minha lista de mudança? Em segundo lugar nessa lista coloquei a necessidade de arranjar os dentes, para um sorriso "à la Paulo Portas". Passo o exagero da comparação, porque o que eu quero mesmo é um sorriso bonito, e não um sorriso "de catálogo", que fere a vista de tão artificial!
Bom, eu nem sequer precisaria incluir os meus dentes na lista de mudança se fosse uma pessoa atinada com as questões da saúde e dos dentes em particular. Mas, por mea culpa, faço parte daquele grupo de pessoas que só vai ao médico quando tem mesmo de ser, e quanto menos vezes melhor. Exames de rotina é mentira. Nunca fiz um check-up na vida. E contam-se pelos dedos das mãos as vezes que fui ao ginecologista (e atenção que já tive um filho!). Enfim, sou uma nódoa no que diz respeito a cuidar de mim e a prevenir para não remediar.
Se bem me lembro, já deveria ter uns 13 ou 14 anos quando comecei a ir ao dentista. Na aldeia, o único médico onde se ia com regularidade era o de família (quando essa figura ainda acompanhava o crescimento das crianças). Todas as outras especialidades só eram consultadas em último recurso, para um tratamento reactivo, em vez de preventivo. Portanto, ao dentista ia-se sempre que apareciam as dores de dentes. E foi provavelmente por esse motivo, não me recordo, que pisei pela primeira vez o consultório de um dentista, já na adolescência. Como na altura não existiam os cheques-dentista (e apesar de hoje existirem, também nunca vi nenhum!), pagava-se um balúrdio por cada consulta - e mais ainda pelos tratamentos. Ora, como o dinheiro já me saía do bolso - porque trabalhava nas férias e recebia uma compensação anual por tocar na banda filarmónica - eu achava um sacrilégio pagar tanto para arranjar os dentes! Ainda por cima, ninguém ia ver. Não era uma camisola nova ou uns ténis de marca que podia exibir na escola... Então qual a minha estratégia para poupar uns trocos? Sempre que o dentista me diagnosticava uma cárie e perguntava se queria tratar ou arrancar (por incrível que pareça, a opção de "arrancar" era-me dada), eu indagava os preços das várias opções. E escolhia a que fosse mais barata. Conclusão: era sempre arrancar! O que significa que, graças à forretice inconsciente da adolescência (e à falta de ética do dentista), fiquei sem três dentes. Vá lá, vá lá, que a coisa podia ter corrido pior! (Felizmente, herdei a dentição do lado paterno, porque a minha mãe usa placa desde que me lembro.)
Olhando para trás, não consigo perceber o que me passava pela cabeça. Sinceramente. Será que eu não imaginava que os dentes me fossem fazer falta no futuro? E o dentista (ou talhante), como é que permite que uma miúda decida arrancar os dentes quando há hipótese de tratamento? A verdade é que permitiu! E sem sequer me alertar para as consequências da minha decisão. Basicamente, além de ficar sem aqueles três dentes A VIDA TODA, ainda corria o risco de perder todos os outros dentes, já que os malandros tendem a ocupar os espaços vazios continuadamente, até ao dia em que se desprendem da raiz e caem.
Quando, há coisa de três anos, uma dentista me disse que, se eu não colocasse implantes, os meus dentes corriam o risco de cair... Caiu-me tudo! Especialmente na altura em que ela mencionou o orçamento. Cerca de 3000€, só para os implantes e as coroas. Muito mais do que eu teria gasto, na adolescência, se tivesse feito as coisas como deve ser. Ah, se o arrependimento matasse! Anyway. Essa mesma dentista - que quebrou a imagem negativa que eu tinha de TODOS os dentistas - também me disse que eu sofria de mordida cruzada (uma maleita que pode causar, entre outras coisas, deslocamento da mandíbula) e que precisava, por isso, de usar aparelho. O mesmo aparelho que serviria, qual coelho e duas cajadadas, para endireitar os dentes "ocupas" e abrir os espaços para a colocação dos implantes. Orçamento para o aparelho e respectiva manutenção: outros 3000€ (mais coisa, menos coisa). Fiquei assoberbada com tantos zeros no orçamento, mas decidi que estava na altura de fazer as coisas como deve ser. E se esse era o preço a pagar pelos erros do passado, paciência... Siga para bingo!
Usei aparelho durante 2 anos, até final do ano passado. Neste momento, uso uma contenção amovível para dormir e aguardo a fase II dos implantes. Sim, porque entretanto iniciei o processo, há quase 1 mês, com a colocação dos parafusos que vão suportar as coroas. Confesso que fui para a consulta cheia de medo. Afinal, não é todos os dias que nos furam o osso do maxilar para lá enfiar parafusos de titânio! Mas com umas boas doses de anestesia e a paciência incrível do Dr. Fernando - o dentista que me fez os implantes e que recomendo vivamente, se alguém me perguntar! - não custou nada (ou quase nada, vá).
Quanto aos próximos passos da minha "remodelação" dentária, falta-me fazer:
- um branqueamento, porque nunca fiz e estou a precisar (já que investi tanto tempo e dinheiro, ao menos que fique tudo nos conformes);
- e a colocação das coroas (um procedimento bastante simples, pelo que percebi, mas que só pode ser feito 2 a 3 meses depois da colocação dos implantes).
Se tudo correr bem, daqui a uns meses serei uma versão mais sorridente de mim própria :)
6 de junho de 2015
Breakfast, finally!
Crédito da imagem: mediterraneanblick.blogspot.com
Tomei o meu primeiro pequeno-almoço depois de 1 mês e meio. Não foi um momento tão romântico e glamoroso como o da imagem, mas fiz questão de o assinalar com pompa e circunstância. Preparei uma bandeja toda catita e sentei-me a apreciar cada dentada, calmamente. Pode não parecer nada de especial, mas eu NUNCA tomo o pequeno-almoço sentada. Preparo tudo na bancada da cozinha e como aí mesmo, de pé. Mas esse é um hábito que vai mudar a partir de hoje. Durante a dieta, foi do pequeno-almoço que senti mais falta, por isso vou passar a dedicar-lhe tempo de qualidade. Isso inclui preparar sempre coisinhas boas e saudáveis, como frutas frescas ou papas de aveia. Em oposição aos pequenos prazeres de antigamente: cereais açucarados ou bolachas com sumo de pacote. Palavra de escuteira!
4 de junho de 2015
Cerejas, me aguardem!
Foi hoje a consulta quinzenal na nutricionista e tive duas boas notícias (uma um bocadinho menos boa, tendo em conta as minhas expectativas). Começo por esta: perdi mais 2 kg em 15 dias. E porque é que não fiquei esfuziante de alegria? Porque queria ter perdido 3 e assim chegar ao patamar dos 60. Mas ainda não foi desta!
Com uns respeitáveis 61 kg (menos 8 do que quando comecei, há quase 1 mês e meio), posso finalmente avançar para a fase 3 (pequeno-almoço!!!) e, surpresa das surpresas, logo depois para a fase 4 (cerejas!!!). Eu a achar que tinha de esperar duas semaninhas até poder enfardar cerejas do Fundão (150 g por dia, que loucura!), mas afinal a fase 3 é rapidinha (só 3 dias), o que significa que 2a feira é todo um mundo novo na minha dieta. Can't wait. Entretanto, vou já fazendo prospecção em folhetos de supermercado.
Com uns respeitáveis 61 kg (menos 8 do que quando comecei, há quase 1 mês e meio), posso finalmente avançar para a fase 3 (pequeno-almoço!!!) e, surpresa das surpresas, logo depois para a fase 4 (cerejas!!!). Eu a achar que tinha de esperar duas semaninhas até poder enfardar cerejas do Fundão (150 g por dia, que loucura!), mas afinal a fase 3 é rapidinha (só 3 dias), o que significa que 2a feira é todo um mundo novo na minha dieta. Can't wait. Entretanto, vou já fazendo prospecção em folhetos de supermercado.
29 de maio de 2015
Tópicos da mudança (em construção)
Se quero realmente mudar, e quero, tenho de traçar planos, fazer resoluções a curto prazo, definir objectivos que, quando cumpridos, sejam baby steps em direcção ao objectivo maior: mudar de vida. Depois de pensar em todas as pequenas coisas que gostava de mudar, algumas bastante simples, outras simplesmente parvas, cheguei a uma lista de 10 tópicos nos quais espero fazer check durante os próximos meses. Não vou definir um deadline - não vale a pena encararmos isto como a preparação para os Jogos Olímpicos -, mas gostava de concretizar todos os tópicos até ao final do verão. Setembro é uma espécie de segundo Ano Novo e uma óptima altura para revisão da matéria dada.
Para já, para já, espero conseguir:
O último tópico é o mais ambicioso e o que fará a ponte para outras resoluções e objectivos, menos baby steps. Por enquanto, vou mantendo esta lista debaixo de olho, afixada bem em frente ao computador, para me relembrar de que a mudança se faz mesmo TODOS OS DIAS.
Para já, para já, espero conseguir:
- Atingir o meu peso ideal (55 kg) - em andamento
- Pôr os meus dentes tão perfeitos como os do Paulo Portas (embora um bocadinho menos brancos) - em andamento e em breve falarei disso
- Voltar a usar as lentes em vez dos óculos (assim as noites do João melhorem e os meus olhos tenham a bondade de colaborar)
- Mudar de óculos (graduados e de sol - tenho os mesmos há anos e quero outros, só porque sim)
- Adoptar um ritual DIÁRIO, sem preguiças, de limpeza do rosto (limpeza, tónico e hidratante)
- Fazer um corte de cabelo, no mínimo, de 2 em 2 meses (antes de chegar àquele estado em que o cabelo mais parece uma selva)
- Manter a depilação em dia (agora que vem aí o verão não deve haver problema, mas mantém-se o tópico just in case)
- Cozinhar com mais regularidade (contrariando o habitual: "não me apetece cozinhar, vou só comer uma tosta mista e uns chocapic directamente da caixa")
- Fazer, pelo menos, duas caminhadas de 45 minutos por semana
- Pôr em marcha a minha ideia para um negócio online
O último tópico é o mais ambicioso e o que fará a ponte para outras resoluções e objectivos, menos baby steps. Por enquanto, vou mantendo esta lista debaixo de olho, afixada bem em frente ao computador, para me relembrar de que a mudança se faz mesmo TODOS OS DIAS.
28 de maio de 2015
Cursos, para que vos quero?
Neste momento, estou a terminar um curso em revisão de texto, já me inscrevi em mais dois, relacionados com marketing digital, e estou de olho noutros workshops que me parecem interessantes. Em áreas tão distintas como costura, cake design ou fotografia.
Está em andamento a missão requalificação profissional!
Está em andamento a missão requalificação profissional!
26 de maio de 2015
A dieta PronoKal
Créditos da imagem: www.pronokal.com
"Se não gostarmos de nós, quem gostará?" ou "A principal mudança começa dentro de nós" são duas frases que ilustram a ideia de que, para mudarmos verdadeiramente, temos de começar por nós . E foi isso que fiz, há pouco mais de um mês, quando decidi iniciar a dieta PronoKal. Devo dizer que já tinha feito essa dieta há 3 anos e com excelentes resultados. Na altura, passei de 69 para 54 kg (uns respeitosos 15 kg) em 2 meses. "Ah, e tal, mas se resultou não deverias ter mantido o peso?!". Deveria, sim senhor. Mas meteu-se uma gravidez pelo meio e já se sabe que é a desgraça. Engordei quase 20 kg e, por incrível que pareça, não voltei ao normal - qual Heidi Klum - apenas por estar a amamentar. Amamentei durante 6 meses, mas ao invés de perder peso cheguei mesmo a engordar uns 2 ou 3 kg depois do parto. Um fenómeno, portanto.
Vai daí que, por altura do 1.º aniversário do meu filho, decidi que estava mais do que na hora de cuidar de mim (e as mães percebem!). Comecei a dieta no dia 22 de Abril e até ao momento já perdi 6 kg. Como? Cumprindo rigorosamente os princípios da dieta, que enumero resumidamente em baixo.
- É uma dieta à base de proteínas, que funciona com substitutos de refeição proteicos (além de haver uma enorme variedade de produtos, alguns deles são realmente bons). É importante saber que os produtos não são baratos e o investimento inicial é o que dói mais - à volta de 500€ só para os primeiros 15 dias (autch!). Depois, à medida que vamos introduzindo comida e precisando de menos produtos, o valor baixa um pouco. Mesmo assim, no geral, é uma dieta que não cabe em todos os bolsos.
- Um detalhe muito importante - que me fez optar por esta dieta e não por outra - é o facto de serem obrigatórias as consultas regulares num nutricionista. Todos os produtos têm de ser prescritos pelo médico, que nos receita também suplementos (vitaminas, sódio, potássio, ómega 3, etc.) e vai pedindo exames médicos para monitorar o nosso estado geral de saúde.
- A dieta faz-se ao longo de 3 etapas: activa, de reeducação alimentar e de manutenção de peso.
- Na etapa activa podemos perder até 80% do peso estipulado, por isso a duração varia conforme o peso que queremos perder. No meu caso, serão 6 semanas (falta-me uma para completar o nível). Dentro desta etapa, convém saber que a dieta vai mudando. Começamos por comer apenas produtos PronoKal (os chamados pacotes), seis vezes ao dia (pequeno-almoço, lanche, almoço, lanche, jantar e ceia), sendo que temos obrigatoriamente de acompanhar o pacote do almoço e do jantar com vegetais (dentro de uma lista de vegetais autorizados, claro!). Esta é a fase 1 e a sua duração depende, mais uma vez, do peso a perder. Normalmente, pode durar entre 5 a 20 dias. A minha nutricionista prescreveu-me 15 dias. Na fase seguinte, a fase 2a, já introduzimos uma refeição "normal" de proteína ao almoço ou ao jantar (dentro da lista de carnes e peixes/mariscos autorizados). Deixamos cair um pacote, mas tudo o resto mantém-se. A fase 2a, no meu caso, durou também 15 dias. Finalmente, dentro desta etapa, chegamos à fase 2b, onde nos é permitido introduzir proteínas ao almoço e ao jantar. Yupi! Dos 15 dias que me foram recomendados nesta fase, estou a uma semana de terminar. E cada vez mais perto dos hidratos de carbono, dos lacticínios, da fruta... E as saudades que tenho de comer cerejas?!
- Na etapa de reeducação alimentar (composta por inúmeras fases), começamos a introduzir o pequeno-almoço (com restrição de alimentos, sempre). Apesar de já entrar aqui a fruta, as cerejas ainda não estão autorizadas! :( Mas aos poucos vão-se fazendo conquistas, introduzindo mais e mais alimentos, de forma faseada, até perdermos os restantes 20% do peso desejado. Quando isso acontecer, estamos prontos para a última etapa - o regresso a uma normalidade mais saudável.
- A manutenção do peso, apesar de parecer pouco importante quando já se alcançou o peso ideal, é uma etapa importantíssima. Se continuarmos fiéis aos princípios da dieta, com consultas regulares (embora muito mais espaçadas) no nutricionista, vamos com certeza manter o peso certo. Eu sei porque o mantive durante 1 ano e alguns meses, até engravidar.
Créditos da imagem: www.pinzon17.com.br
Créditos da imagem: www.revistafeminity.com
Escusado será dizer que refrigerantes, chocolates, doces, açúcares estão banidos, certo? Outra regra transversal a qualquer dieta: beber água, muita água. Além de hidratar, ainda nos ajuda a eliminar as toxinas do organismo. Chá caseiro também não faz mal nenhum, embora se deva dar preferência às infusões "puras" (como camomila, cidreira, lúcia-lima, etc.), em vez de misturas frutadas ou açucaradas. Se quisermos um gostinho mais doce no nosso chá, podemos usar adoçante à base de aspartame ou sucralose - sempre com moderação, obviamente.
Faz hoje 1 mês e 4 dias que estou em dieta. Acho que já passei as fases piores - embora haja dias mais difíceis do que outros (basta passar à frente de uma banca de cerejas ou sentir o cheirinho de pão quente para que o mundo se torne subitamente num lugar horrível!) - mas estou optimista e muito orgulhosa do que já consegui. Embora mais pobre (posso dizer que já gastei para cima de 1000€), não há preço que compre a auto-estima. E a saúde. Porque estarmos no peso certo e fazermos boas opções alimentares é, sobretudo, uma questão de saúde.
25 de maio de 2015
Inconformados anónimos
Olá. O meu nome é Susana e estou decidida a mudar de vida. Mas isso vocês já sabem. Vamos ao que ainda não sabem: quem sou eu e de onde venho? Nasci no distrito de Viseu, mas vivo há mais de 10 anos em Lisboa. Foi para esta cidade que vim estudar, antes mesmo de ter idade para tirar a carta de condução. Jornalismo foi o curso que escolhi, embora nunca tenha chegado a exercer. Em vez disso, tive a felicidade de abraçar outros desafios relacionados com a escrita, aquilo que sempre me moveu e apaixonou. Trabalhei em algumas produtoras de televisão, numa empresa de livros personalizados, tive outros trabalhos pelo meio, quase sempre a recibos verdes... Até que, há bem pouco tempo, fui mais uma
"vítima" da crise e fiquei desempregada.
Dizem que estas situações são um empurrão para quem quer mudar de vida. E eu há muito que queria. Não por não gostar do que fazia, nada disso. Mas porque sempre preferi escrever sem pressões e deadlines, ao invés de o fazer "das 9h às 18h" (ou, mais próximo da realidade, "das 8h às 20h"). Além disso, a instabilidade associada à profissão de argumentista, com a inevitabilidade dos recibos verdes, nunca me permitiu fazer planos a longo prazo. Comprar uma casa, ter um filho, construir uma vida mais estável com o namorado de anos... Todas estas coisas, que não eram prioridades, passaram a sê-lo com a aproximação dos 30. E assim começou a minha vontade de mudar de vida. No início de 2013, tomei a primeira decisão nesse sentido: abdiquei de boa parte do ordenado e aceitei um contrato sem termo, em substituição dos recibos verdes. Graças a essa decisão, pude fazer "check" em alguns pontos da minha lista: comprei casa com o namorado, engravidei do primeiro filho e pude usufruir da licença de maternidade (um direito que os falsos recibos verdes já têm, mas que no meu tempo era utopia). Basicamente, foram 2 anos de conquistas, tanto a nível pessoal como profissional. No entanto, o que é bom acaba depressa e as más notícias chegaram pouco depois do final da minha licença de maternidade: a produtora teria de encerrar um dos escritórios, aquele onde eu trabalhava, e despedir todos os colaboradores. Assim foi. No fundo, e por incrível que pareça (para quem já tinha uma prestação da casa para pagar e um filho de meses para sustentar), o sentimento foi de alívio. Estava na hora de mudar.
Desde essa altura, passaram-se alguns meses. Na minha cabeça, a mudança já é uma realidade. Na prática, however, não faço qualquer ideia do que vou fazer. Tenho apenas uma certeza: serei mais feliz a escrever como hobby, sem pressões, deadlines, imposições... E sem um ordenado no final do mês, subentenda-se. O que me leva a concluir algo tão simples como: se a escrita passar a hobby, isso significa que terei de encontrar outra profissão/actividade remunerada. A grande questão é: QUAL? O jornalismo que nunca exerci?
Sem excluir a hipótese de trabalhar finalmente como jornalista, tenho à partida uma enorme reticência: o estágio de 12 meses obrigatório para conseguirmos a carteira profissional. Segunda reticência: para quê sair de uma área em crise para me meter noutra igualmente má ou pior? Além disso, desapaixonei-me pelo jornalismo durante o curso e seria preciso uma excelente primeira experiência para voltar a apaixonar-me. Quem conhece os meandros do jornalismo, sabe que as coisas não estão fáceis. Mesmo que eu aceitasse um estágio de 12 meses, teria de haver um jornal ou revista (sim, porque não me imagino na rádio ou na televisão) a dar-me uma oportunidade. A julgar pela falta de respostas ao envio do meu currículo, e também pelo tipo de anúncios que vão aparecendo, parece-me que o mercado está melhor para os recém-licenciados. Provavelmente por serem cordeirinhos mais obedientes numa altura em que o pastor não está para se chatear com ovelhas que tenham algum sentido crítico (fundamentado pela experiência profissional e de vida). Who knows?
Jornalismo ou não, a minha próxima profissão/actividade remunerada terá de incluir o factor criatividade - o acto de criar, a possibilidade de dar forma a ideias, a capacidade de inovar... Essa - seja ela qual for - é a profissão para mim! E, com isto, já delimitámos bastante o universo laboral. Neste momento já só tenho pr'aí umas 5324 profissões por onde escolher. Acho que talvez dê jeito um daqueles testes de aptidão profissional que se fazem no secundário.
Dizem que estas situações são um empurrão para quem quer mudar de vida. E eu há muito que queria. Não por não gostar do que fazia, nada disso. Mas porque sempre preferi escrever sem pressões e deadlines, ao invés de o fazer "das 9h às 18h" (ou, mais próximo da realidade, "das 8h às 20h"). Além disso, a instabilidade associada à profissão de argumentista, com a inevitabilidade dos recibos verdes, nunca me permitiu fazer planos a longo prazo. Comprar uma casa, ter um filho, construir uma vida mais estável com o namorado de anos... Todas estas coisas, que não eram prioridades, passaram a sê-lo com a aproximação dos 30. E assim começou a minha vontade de mudar de vida. No início de 2013, tomei a primeira decisão nesse sentido: abdiquei de boa parte do ordenado e aceitei um contrato sem termo, em substituição dos recibos verdes. Graças a essa decisão, pude fazer "check" em alguns pontos da minha lista: comprei casa com o namorado, engravidei do primeiro filho e pude usufruir da licença de maternidade (um direito que os falsos recibos verdes já têm, mas que no meu tempo era utopia). Basicamente, foram 2 anos de conquistas, tanto a nível pessoal como profissional. No entanto, o que é bom acaba depressa e as más notícias chegaram pouco depois do final da minha licença de maternidade: a produtora teria de encerrar um dos escritórios, aquele onde eu trabalhava, e despedir todos os colaboradores. Assim foi. No fundo, e por incrível que pareça (para quem já tinha uma prestação da casa para pagar e um filho de meses para sustentar), o sentimento foi de alívio. Estava na hora de mudar.
Desde essa altura, passaram-se alguns meses. Na minha cabeça, a mudança já é uma realidade. Na prática, however, não faço qualquer ideia do que vou fazer. Tenho apenas uma certeza: serei mais feliz a escrever como hobby, sem pressões, deadlines, imposições... E sem um ordenado no final do mês, subentenda-se. O que me leva a concluir algo tão simples como: se a escrita passar a hobby, isso significa que terei de encontrar outra profissão/actividade remunerada. A grande questão é: QUAL? O jornalismo que nunca exerci?
Sem excluir a hipótese de trabalhar finalmente como jornalista, tenho à partida uma enorme reticência: o estágio de 12 meses obrigatório para conseguirmos a carteira profissional. Segunda reticência: para quê sair de uma área em crise para me meter noutra igualmente má ou pior? Além disso, desapaixonei-me pelo jornalismo durante o curso e seria preciso uma excelente primeira experiência para voltar a apaixonar-me. Quem conhece os meandros do jornalismo, sabe que as coisas não estão fáceis. Mesmo que eu aceitasse um estágio de 12 meses, teria de haver um jornal ou revista (sim, porque não me imagino na rádio ou na televisão) a dar-me uma oportunidade. A julgar pela falta de respostas ao envio do meu currículo, e também pelo tipo de anúncios que vão aparecendo, parece-me que o mercado está melhor para os recém-licenciados. Provavelmente por serem cordeirinhos mais obedientes numa altura em que o pastor não está para se chatear com ovelhas que tenham algum sentido crítico (fundamentado pela experiência profissional e de vida). Who knows?
Jornalismo ou não, a minha próxima profissão/actividade remunerada terá de incluir o factor criatividade - o acto de criar, a possibilidade de dar forma a ideias, a capacidade de inovar... Essa - seja ela qual for - é a profissão para mim! E, com isto, já delimitámos bastante o universo laboral. Neste momento já só tenho pr'aí umas 5324 profissões por onde escolher. Acho que talvez dê jeito um daqueles testes de aptidão profissional que se fazem no secundário.
22 de maio de 2015
Mudar!
Créditos da imagem: www.thepositive.com
A mudança radical é um looongo processo - pelo menos para mim. Começa no momento em que a desejamos, mas tende a ser contrariada e adiada por mil e uma razões. Os argumentos que damos a nós próprios, ou as desculpas que inventamos, vão-nos mantendo dentro da zona de conforto. Até que a vida nos encosta à parede! Mas, mesmo nessa altura, falta a coragem. Faltam os meios. Falta saber como e por onde começar. É precisamente nesse lugar que me encontro. E é por isso que escrevo este blogue: para documentar o efectivar da mudança - assim o espero -, mas também para impor alguma pressão a mim mesma. Estando escrito, e com testemunhas, já não há volta a dar. Quer dizer, haver há. A diferença é que o orguho nos impele a continuar. Para já, a decisão está tomada, embora ainda não saiba exactamente os moldes em que vai acontecer. Será que passa por encontrar outra profissão? Mudar de cidade para ganhar qualidade de vida? Procurar um hobby que me apaixone? "Desenterrar" sonhos antigos? Não sei, a sério que não. Mas espero descobrir. Por enquanto, a vida não pára e a mudança está engrenada. Só espero que ela me leve a novos e surpreendentes caminhos.
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